Ásia
02/01/2017

Safari no deserto em Dubai

14h30 a 15h00 era o horário agendado para o nosso tour. Esse é um dos motivos pelos quais não gosto muito de pacotes turísticos. O horário é inflexível e tudo que eu quero nas minhas férias é um pouco de flexibilidade. Vai que não estou afim de estar às 14h30 no hotel. Vai que meu almoço estava excelente e quero continuar no restaurante, ou tive uma ideia mirabolante e quis mudar os planos, ou não estava passando bem e quisesse desistir… Enfim, já tinha agendado e pago metade do passeio, então vamos lá… Já que tem horário, fico estressado em atrasar, então prefiro chegar ainda mais cedo! 14h15 estávamos lá, sentados na recepção e ansiosos pela chegada do nosso guia.
Depois de muitas e muitas pesquisas (vocês já sabem dessa parte), eu aceitei contratar um pacote bem turistão para fazer um Safári do deserto.


Vou explicar: Dubai era um grande deserto há alguns anos atrás e ainda é, porém, depois de muito investimento, esse deserto está abarrotado de construções lindíssimas e gigantescas e o que não falta aqui é água e diversão. Uma dessas diversões é conhecer o deserto. Para tanto, não é muito normal você vestir roupas de beduíno, alugar um camelo e sair andando por aí afora, então, para poder conhecer o deserto você tem que contratar um passeio turístico. Tipo passeio das Dunas em Natal ou Fortaleza, sabe?
Mas, como estamos em Dubai, não dá para ser em um buggy, afinal seria muito pobre por aqui, então os passeios são feitos em veículos 4×4 super bacanas, todos ao estilo Land Rover e com ar condicionado, nos padrões de Dubai.

O turista que chega aqui não encontra dificuldades em contratar o passeio. Ele é oferecido aos quatro ventos e em todos os hotéis, por preços que variam desde 30 dólares por pessoa a 3500 dólares por um carro privado (sim, você leu direito!!!).
Durante minha pesquisa, eu preferi contratar já no Brasil… Explico: eu sei que acabei de dizer que não gosto de pacotes turísticos fechados, mas já que é para fechar, que seja extremamente organizado e planejado. Não pode restar nenhuma dúvida sobre minha escolha, então, como sabem, vou a fundo nas pesquisas.
Eu costumo ler os milhões de comentários do Trip Advisor, Booking, Lonely Planet e outros sites, em diferentes línguas (para entender como cada cultura enxerga qualidades e defeitos nos comentários que fazem) para me decidir sobre o que vou fazer no lugar visitado ou em qual hotel vou me hospedar.
Resolvi então que iria contratar uma agência super bem recomendada no Trip Advisor, a Memphis Tour, atuante não só em Dubai, como em muitos outros lugares do Oriente Médio e Norte da África. Me pareceu bem grande, organizada e confiável. Entrei no site deles, mandei uma mensagem em Inglês e, algumas horas depois, me responderam em Português.
Mandei mensagem para diversas outras companhias também, pedindo informações. Eu sabia que, independente do que acontecesse, eu queria contratar um tour privado. Não acho certo colocar duas crianças dentro de um carro com outras pessoas, correndo o risco delas chorarem porque tiveram medo das dunas e tenha que pedir para cancelar o passeio. Sei lá, não acho certo nem comigo, nem com elas, nem com os outros que querem se divertir! Então, fazer o quê? Pagar mais e contratar um passeio só para nós. Outro motivo também é que quero ter certa flexibilidade em pedir para o guia parar em algum lugar específico ou para ir embora caso não gostarmos de alguma parada.
Em meio a essas mensagens, pude constatar uma disparidade incrível entre os serviços oferecidos e os preços de cada agência. Os tours privados começavam com 80 dólares por pessoa e a média era 100 a 120 para até 6 pessoas. Uma agência específica, muito bem avaliada também, cobrava 3500 dólares o carro e você tinha direito a mais algumas coisas que, ao meu ver, nem se estivesse disposto a pagar isso tudo, valeria a pena.
Todas as agências que pesquisei oferecem um pacote padrão que inclui, além do passeio de 30 minutos pelo deserto, o transporte ida e volta até o hotel e um jantar com churrasco e show típico em um acampamento no deserto, além de um passeio em camelo, apresentações de falcoarias, tatuagens de henna, fotos com roupas típicas e possibilidade de provar shisha (aquele tipo de cigarro árabe com sabores diferentes – no Brasil mais conhecido como Narguilé).

***esse é o tal do acampamento…
Bom, escolhi, como já disse, a Memphis Tour. Me pareceu um pacote interessante. Eles não cobrariam as crianças e pagaríamos 240 dólares pelo tour privado com direito a tudo isso que acabei de citar. Me certifiquei um milhão de vezes que nosso tour seria privado e que tudo isso estaria incluso e ele sempre disse que sim.
Assim foi, fiz um depósito de 50% do valor, ainda no Brasil e o restante teria que pagar no fim do passeio.
Agora vamos voltar no horário combinado com o guia.
A todo momento, antes e depois que fechei o pacote (importante dizer isso), eles me respondiam super rápido e sempre em Português. Falava sempre com a mesma pessoa, o Sr. Islam. Um dia antes do passeio, ele me mandou um e-mail com o WhatsApp dele, para qualquer intercorrência.
Quando chegamos na recepção do hotel, percebi que tinha um monte de gente esperando o mesmo passeio, com diferentes agências. Aí pensei comigo, como nosso guia vai nos encontrar aqui? O hotel tinha acordo com uma agência (que não era a minha), então me preocupei se o guia poderia entrar lá e me procurar. Resolvi escrever uma mensagem para o Islam. Ele me respondeu prontamente dizendo que nosso guia iria ao nosso encontro dentro do hotel com uma placa com nosso nome. 14h45 e nada. Resolvi então perguntar ao concierge (lembra dele?). E ele me disse que nosso guia estava lá há um tempão nos esperando!!!
Bom, menos mal, ele nos levou até o guia, um paquistanês que falava inglês até que bem, porém parecia sempre sussurrar, então a cada dez palavras que ele dizia, eu pedia para ele repetir umas três vezes e ainda assim, eu entendia uma ou duas… Enfim, eu queria um passeio no deserto, não um tour com toda a cultura árabe, então tudo bem!
Ele nos levou até o carro, um Toyota Land Cruise 4×4 novo e reforçado com barras de proteção, caso houvesse um capotamento 😱😱. Espaço para 7 pessoas, mas só nosso! Ah, que bom! Era realmente verdade!!! Um suspiro de alívio veio em mim…
Andamos por uns 45 minutos por uma estrada muito boa, sempre a 120km/h ou mais (muitos comentários reclamavam da velocidade que os motoristas andam por aqui, mas as estradas são gigantes, largas e ótimas, então tá, eu não vejo problema nisso… Na Alemanha andam a mais de 200…). No caminho, pudemos avistar muitos camelos e areia, areia, areia, camelo, areia, caminhão, camelo, caminhão, areia, caminhão, caminhão, caminhão… (nossa, acho que tinha mais caminhão do que areia e camelos).
Paramos em um lugar, tipo uma lojinha que ele disse que poderíamos comprar bebidas ou ir ao banheiro. Eu disse que estávamos bem, não queríamos nada disso, mas mesmo assim ele parou. Achou estranho eu dizer isso (acho que todo bom turista, preza muito o trio lojinha-banheiro-comida. Eu não. Eu queria um passeio no deserto e não estava com a menor vontade de ir ao banheiro. Nem eu, nem ninguém no carro. Mas mesmo assim ele parou e disse que iria trazer água para nós. Um segundo depois veio um moço me enfiar um turbante (acho que não é assim que chama esse negocio aí embaixo, mas dá pra entender…) na cabeça e me vender um monte de coisa. Eu disse que não queria nada, ele insistia, foi quando chegou meu guia, lhe disse um montão de coisa em uma língua X e ele foi embora. Fiquei até com dó, mas adorei essa parte…

Continuamos o caminho. Na verdade, o nosso guia/motorista só cruzou a estrada e subiu em uma duna com velocidade total e… Parou! Achei que era ali ué começava o tour, mas ele abriu a porta e me disse que teríamos que esperar alguns carros chegarem, pois tínhamos chegado muito cedo para o passeio.
Pergunta: não era um tour privado?
Resposta: sim, mas por segurança, eles só andam aos bandos. Me disse que, às vezes, saem mais de duzentos carros enfileirados para o tour.
Tudo bem, descemos do carro e literalmente enfiamos o pé na areia. Disse isso, pois a areia do deserto é extremamente macia e afunda muito. Ah, e, inacreditavelmente, é fria! Tiramos os sapatos e fomos andar um pouco. As meninas se divertiram nessa hora. Correram pra lá e pra cá vendo as pegadas de pequenos animais que por ali passaram, tentaram fazer castelinho, mas sem sucesso (não tinha água para grudar a areia). Enfim, fizeram a festa! Foi bacana, mas ficamos ali parados por mais de 1 hora esperando os 10 carros que foram conosco. Todos da mesma agência, terceirizada, a Royal Adventures. Os motoristas esvaziavam um pouco os pneus dos carros para poderem fazer o passeio sem atolamentos e lá fomos nós, rumo ao deserto!

No começo foi divertidíssimo. Curvas, areia para todo lado, subidas e descidas, derrapadas, as meninas rindo e gritando. Depois de uns 15 minutos, elas começaram a ficar meio quietas e perguntando que horas íamos sair dali. O nosso motorista, acho que percebeu, e ia devagar, fazendo curvas menos intensas. Dali a pouco o carro que estava na frente fez uma parada brusca e mandou os outros seguirem em frente. Adivinha? Um vomitado imenso na lateral do carro… Ainda bem que estávamos no tour privado. Bom, depois de uns 25 minutos andando pelo deserto e já, confesso, um pouco enjoado, paramos em uma montanha alta para vermos o pôr do sol. Lindo! Não consegui ver o sol se pôr, mas ele estava bem baixo, deixando um colorido em tons de laranja e vermelho pelo deserto. Lindo!

As meninas voltaram a se divertir, a areia estava cada vez mais fria e os motoristas voltaram a encher os pneus. Entramos de volta no carro e seguirmos por mais um ou dois minutos na areia, pulando que nem loucos (o pneu estava cheio) e seguimos pela estrada (asfalto) por mais uns dez minutos até o acampamento.

Quase chegando, pudemos ver centenas (mesmo!) de carros, vans e ônibus parados na estrada. Perguntei o que era e o nosso motorista (aquilo que pude entender) me disse que existem mais de 35 acampamentos pelo deserto, por isso tanta gente. Entramos de novo na areia e, subitamente, ele parou, abriu a porta e outro motorista entrou no carro. Não falou nada e começou a dirigir que nem louco pelas dunas. Eu pensei um milhão de coisas, mas que bom que durou só cinco minutos. Lá estava nosso acampamento!
Descemos, ele falou umas 200 coisas para minha esposa, mas ela só entendeu 1: que a nossa mesa era a 8!
Na entrada do acampamento, tinha 4 camelos dando uma voltinha de 20 passos, com um monte de gente em cima. Que dó! Esse era o passeio de camelo? Ficamos todos bem decepcionados, parecia aqueles pôneis em feirinhas do interior, sabe? Tivemos dó e não quisemos contribuir com isso.

Entramos e procuramos nossa mesa. Achamos, mas tinha um moço apoiando todas as coisas dele lá e comendo, de uma forma um tanto quanto exótica, um super pote de noodles instantâneo… Perguntei a um homem que parecia ser um garçom e ele foi lá falar com o moço que prontamente liberou a mesa. Ótimo! Estávamos acomodados. Isso eram 17h45, mais ou menos.

No acampamento, em volta, tinha tudo aquilo que era prometido, mas tudo pago à parte (isso não foi informado pelo Sr. Islam. E eu perguntei). Pelo que entendi, tirando a shisha, o resto não era exatamente cobrado, mas era sugerido, assim, beeeem sugerido, um valor para gorjeta.
O show de falcoaria nada mais era que um moço segurando um falcão bem triste e oferecendo para que tirassem foto com ele no braço ou na cabeça. Pulei este também. Também tinha pipoca, noodles e salgadinhos para vender, além da bebida alcoólica, não inclusa (essa eu sabia). Tinha ainda um super Buffet montado em uma tenda, mas ainda vazio e uma churrasqueira acesa.
As mesas eram baixinhas e todas meio grudadas, com almofadões para sentar. As meninas gostaram. Era até que bacana! No meio das mesas, tinha um grande palco para o show.
Também foi mencionado que eu poderia fazer sandboard e andar de quadriciclos a motor (pagos à parte), mas não achei onde era isso (também não fiz questão de procurar).
Lá pelas 18h30, o moço, em um microfone, anunciou o show. Três moços, vestidos à caráter, entraram no palco com umas bengalas e começam a dançar, de uma forma bem triste, uma música. Pronto, cinco minutos depois acabou… O moço ao microfone anunciou então, que os aperitivos estavam servidos. Era falafel e um wrap que não consegui identificar o sabor, mas era bom! Também serviram refrigerantes e água.


Dali a pouco, começou o show novamente. O que veio agora foi uma dançarina bem feia e estranha fazer dança do ventre. Péssimo! Não me animei nem em tirar uma fotografia…
Foi anunciado o jantar com churrasco. Nossa, agora devo confessar que foi disgusting (acho melhor que nojento, mais forte, sabe?)… Uma fila de gente faminta empilhando uma comida que não conseguia identificar metade, mas todas bem feias (as comidas…). Quando chegou minha vez, já não tinha quase nada e nada era reposto. Peguei macarrão com molho vermelho para as meninas e arroz branco. Foi o que consegui identificar… Estava horrível e gelado!
Aí, voltei para pegar para mim, o Buffet estava ainda pior. Remexido e vazio. Peguei arroz e hommus e fui em busca do churrasco. Coxa de frango e espetinho de…. Frango. Cada um tinha direito a uma peça de cada. Terrível, medonho! E olha que não sou nada chato com comida… Minha vontade de tirar foto era zero, mas depois me arrependi… Deveria ter registrado o momento!
Comi algumas garfadas de arroz e de espetinho de frango (a coxa estava péssima – não arrisquei) e assisti a última parte do show. Um dervishes (aqueles homens que usam um tipo de vestido e rodam sem parar). Esse foi bom! O cara era bom e fazia várias coisas rodando. Trocava de roupa, abria guarda chuvas, se iluminava todo. Bem bacana, mas bem diferente do show bem tradicional que assistimos há uns anos atrás na Capadócia…

*** esse era o da Capadócia…

*** e esse era o do deserto…
Veio um moço me cobrar o resto do passeio e me garantiu (perguntei umas cinco vezes) que nosso guia viria nos buscar na mesa (aquele que nos abandonou, sabe?).
Acabou o show por volta das 20h00. O moço ao microfone anunciou isso e orientou que os guias estariam do lado de fora esperando para ir embora. Confesso que fiquei meio apavorado nesse momento, pois lá fora estava um breu e todos os carros eram iguais… Como ia achar nosso guia? Enfim, minha esposa achou nosso guia sem querer e corremos atrás dele. Voltamos para a estrada em uma velocidade desenfreada pelas últimas dunas da noite (o pneu estava cheio, então tínhamos que correr, senão o carro atolava – pelo menos ele explicou isso). Entramos na estrada e em 40 minutos chegamos no hotel. As meninas dormindo no colo, descemos do carro. Nem tchau o motorista falou…
Foi aí que fui ao mercado, mas essa parte da história vocês já sabem e agora puderam entender o que fui fazer no mercado…
Desculpe o post longo, mas quis explicar com todos os detalhes, que não encontrei em lugar algum, como efetivamente foi minha experiência com o Safari no deserto para que você, quando vá a Dubai, possa decidir por si só se quer ou não fazer e como e com quem vai… Não creio que seja tudo muito diferente disso… Peço que aqueles leitores que já fizeram esse passeio, relatem aqui as experiências para enriquecer mais o post…
Resumo da história: Safari no deserto? Sempre com tour privado (entendam o que isso quer dizer) e uma vez na vida tem que fazer, mas SOMENTE uma vez na vida!
#ficaadica

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