Ásia
30/12/2016

Old Dubai – onde tudo começou 

Acordamos bem cedo e lá fomos nós para o café da manhã. Vou deixar todo mundo curioso, pois esse assunto merece um post à parte. Aguardem!
Depois do café tinha programado uma visita à Jumeirah Mosque, única mesquita em Dubai aberta a não muçulmanos. Depois de investigar, descobri que a visita podia ser feita de forma guiada, pelo projeto de divulgação cultural do Sheikh Mohammed, o “Open doors. Open minds”. Funciona da seguinte maneira, de acordo com os mil blogs e sites que pesquisei: você deve chegar às 9h45 para se inscrever para a visita e custa 20 Dirhams para adultos e 12 para crianças. Todo mundo que chega consegue entrar e a visita dura cerca de 1h15. Em seguida, você é convidado para um chá com docinhos típicos e tâmaras. Legal, ótimo, perfeito, se não fosse por dois motivos básicos:

1. Lembra que viajamos aquela montanha de horas e estávamos meio confusos com o fuso? (Para quem não sabe do que estou falando, clique aqui). Claro! Acordamos um pouco atrasados e acabamos de tomar café às 9h30 – a mesquita fica a 25km do meu hotel (30 minutos de táxi).
2. Temos duas crianças… Isso significa que para ficarem mudas e imóveis por 75 minutos (tempo da visita), precisaria haver durante a visita, além do Sheikh ou de sei lá quem explicando a cultura EM INGLÊS, algumas princesas, o Mickey e a Minnie, um show de mágica, peixinhos nadando em um grande aquário, muitas bonecas à disposição… Enfim, meio difícil não?
Então… Não rolou! Pensei: muito bom o projeto, mas não é feito para receber crianças cansadas depois um vôo longo. Além do mais, há três anos atrás visitamos algumas mesquitas na Turquia e já tínhamos uma ideia do que era… Bom, decidimos que iríamos visitar a mesquita sem fazer a visita guiada (cá entre nós, bela desculpa… Eu não sou muito adepto a visitas guiadas…).
Acabamos de tomar café, subimos para o quarto, pegamos nossas coisas e nos dirigimos à recepção para pedir um táxi… Foi quando o concierge gentilmente me questionou: Sr, que mal lhe pergunte, o que vocês vão fazer na mesquita? A visita guiada já começou… Eu, mais do que depressa respondi: Ah, claro, eu sei! Optamos por fazer a visita sem o guia!
Aqui vai mais um parênteses (para quem não viu os outros, clique aqui):
Não estou brincando, eu pesquisei MUUUUUUUUUITO para fazer essa viagem! Fucei em trocentos blogs e sites em tudo que é língua! NENHUM, eu disse NENHUM me contou que a mesquita SOMENTE permite a tal visita guiada. Ela só abre para não muçulmanos nesse horário. Só participantes do tour podem visitar.
Agora a pergunta: Por que ninguém fala isso nos blogs? POR QUÊ??? Quando eu li, eu entendi que a visita existia, mas nunca imaginei que era obrigatória. Não é possível que eu seja a primeira pessoa do mundo que perdeu a hora para uma visita guiada, ou que não quis fazer a visita e que chegou lá e deu de cara com a porta. AINDA BEM que o concierge tinha um bom coração e me alertou! Senão eu teria gasto 80 reais só pra ir até a mesquita e dar de cara com a porta!
Enfim, depois do desabafo… O concierge me ofereceu diversos outras sugestões para fazer durante o dia, mas eu resolvi seguir com meu roteiro e pular a mesquita…

*** Olha ela aí em cima (foto da Internet, do site de divulgação de Dubai)
Pegamos então um táxi para o Dubai Museum. Fica mais ou menos próximo da mesquita, no centro velho de Dubai. Perto de onde tudo começou por aqui. O taxista, bem simpático, tentou me convencer de ligar para ele quando quiséssemos retornar ao hotel. Vale dizer que ele falava umas três palavras em inglês… Ele me deu o telefone dele umas cinco vezes e olhava para minha cara esperando que eu ligasse para ele para ver se eu tinha entendido. Eu falava então para que ele me desse o código do país (só por educação, pois não ia ligar para ele… A cidade tem um milhão de táxis e eu não ia gastar quase o preço do taxi com uma ligação telefônica nos Emirados Árabes Unidos. Imagina eu tentando explicar para ele em que parte da cidade nós estaríamos…), mas ele insistia que o número era só aquele! Bom, para não prolongar demais, falei para ele: Ah tá! Anotei! Eu te ligo logo mais…
Descemos na porta principal do museu e tinha umas cem pessoas ali na frente e uma certa fila… Ao lado da porta estava uma placa: “Favor usar a entrada lateral” (porque será que tinha aquele bando de gente ali?). Fomos até a entrada lateral e encontramos mais umas duzentas pessoas se amontoando na porta e uma fila lateral com algumas poucas pessoas, que parecia ser para comprar ingresso. Ficamos ali e fomos literalmente atropelados por uma multidão de crianças e outras multidões de turistas com guias… Nos mantemos firmes e fortes e conseguimos nossos ingressos! 3 Dirhams para os adultos e 1 Dirham para as bebês.

* depois da tempestade, vem a calmaria…
Ao entrarmos, nos deparamos com a multidão no primeiro andar, aberto ao sol de 35 graus (neste andar é possível encontrar algumas peças que demonstram a cultura antiga árabe, com embarcações e construções civis e militares. Decidimos pular essa parte (deixamos para o fim) e nos dirigimos direto para o subsolo para tentar fugir daquela imensa população.

Bem mais fresco, o subsolo também mostra toda a evolução do país, mas foca em Dubai, contando tudo desde o seu surgimento, ao redor do rio (Creek) até sua evolução a partir do início do século XIX (1906 – eu pensei que fosse uma cidade mais nova…) com a construção de alguns prédios e seu boom de investimentos partir da década de 70 e 80, se tornando uma cidade de superlativos, batendo vários recordes em suas construções megalomaníacas.

Subimos novamente ao primeiro andar quando vimos que, se quiséssemos ver esse andar, teríamos que voltar por todo o caminho que fizemos. É um sentido único de visita. Ficamos com preguiça… ou seja, não faça como nós. Enfrente a multidão e veja logo de uma vez o primeiro andar antes de embarcar para o subsolo.
Quem está se perguntando se, em algum momento, a multidão encontrou a gente no museu, a resposta é: infelizmente sim! Milhares de vezes fomos quase pisoteados pela criançada e pelos turistas loucos com suas câmeras tirando foto de tudo. Tudo e mais um pouco – às vezes eu me pergunto se essas pessoas olham essas fotos algum dia na vida…
Cada povo tem uma cultura diferente, mas nunca entendi a falta de educação… Entendo que cultura e educação caminham lado a lado, mas será que bater nas pessoas ou acotovelar para conseguir uma boa foto é cultural?
Depois de aprendermos que Dubai não vive só de aparências, como muitos dizem, fomos a pé até a beira do rio para tentar pegar um barco para atravessar.
Antes disso, no caminho, cruzamos o bairro de Al Fahidi, antigo Bastakiah, ainda preserva algumas tradições, mas é bem turístico, com muitas lojinhas e pequenos museus (da moeda, do café, da imigração…) que contam também um pouco da história de Dubai. Lá, tudo é da mesma cor, ocre, areia, bastante típica das construções antigas da cidade e é possível observar diversos túneis de vento, que estão aí embaixo na foto. É uma construção típica usada para tentar arejar as casas e manter a temperatura constante.

Depois de nos perdermos um pouco pelos becos charmosos da região, chegamos na beira do Creek.

O transporte em barco para a travessia do Creek é muito comum por aqui. As pessoas costumam cruzar o rio através das Abras, pequenas embarcações onde as pessoas sentam em um banquinho de madeira e pagam 1 Dirham por isso.
Chegamos em um dos muitos pontos de embarque e estava fechado. Fomos abordados por um homem oferecendo o transporte. De início neguei, mas percebi que a próxima estação era bem longe e estávamos com o horário meio apertado (tínhamos um passeio agendado para o período da tarde), então reconsiderei e perguntei o preço. Ele disse: faço para todos vocês apenas 25 Dirhams. Achei um absurdo, mas resolvi embarcar.

Em alguns momentos pensei que o Mr. Jumma poderia nos levar para bem longe, pelo mar afora, que ele poderia tentar nos jogar no meio do rio, sei lá. Essa desconfiança começou porque, para entrarmos no barco, precisamos pular uma cerca!!!
Bom, em resumo, nada aconteceu, mas sim, aquilo que fizemos foi ilegal. Desembarcamos na frente dos souks, porém ao lado de onde todo mundo desembarca, no meio de um monte de lixo… É, definitivamente era ilegal. Paguei 30, tendo certeza que morreria no prejuízo, mas, ao contrário de todas as desconfianças, ele me disse, e, tom triste: não tenho 5, aí eu disse, então faz por 20. Ele respondeu: tá bom! E foi-se embora… Fiquei com dó…

Aí era o desembarque oficial. Desembarcamos há uns 50 metros desse local… Suspeito…

Chegamos então nos souks, antigo mercado de rua com vendedores ambulantes e lojas físicas. Tipo 25 de março, em São Paulo. Lá vendia-se de tudo, mas era organizado por souks de especiarias, tecido e ouro, muito ouro, muito ouro mesmo! Assim, quem será que compra esse tipo de peça?


Compramos um souvenirzinho e fomos em busca de um táxi para voltarmos ao hotel. Em meio a muito trânsito, encontramos um vazio, entramos e lá fomos nós em busca do nosso rápido almoço na praça de alimentação no shopping em frente ao hotel para então esperarmos nosso guia para o próximo passeio!
Não percam a continuação da nossa aventura!!!

Uma resposta para “Old Dubai – onde tudo começou ”

  1. Safari no deserto em Dubai – Viagem, comes e bebês disse:

    […] dentro do hotel com uma placa com nosso nome. 14h45 e nada. Resolvi então perguntar ao concierge (lembra dele?). E ele me disse que nosso guia estava lá há um tempão nos […]

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