Comes
29/12/2016

Frequentando um supermercado em Dubai

Quem me conhece sabe que eu adoro frequentar um supermercado, seja em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo. Aliás, eu sempre procuro isso, até por que faz parte da minha vida profissional.
Hoje, depois de um jantar mal sucedido e uma filhota (a outra comeu) e uma esposa com fome, fui ao mercado em frente ao hotel. Um super, mega, hipermercado. Tipo Carrefour gigante ou Extra. Fui para comprar alguma coisinha para elas comerem, bem simples, mas me deparei com um mercado gigante, cheio de opções.

Como já eram mais de nove horas da noite, depois de um dia longo, não estava muito afim de olhar todos os itens disponíveis e passar cinco horas no mercado, então, passei rapidamente pelos corredores em busca da comida e encontrei algumas muitas opções (pra mim! Por que pra elas, tinha que procurar o mesmo de sempre…) não resisti e comprei um negocinho para eu experimentar…

Um bolo de mel, super famoso por aqui. Pena que tinha gosto de manteiga e gordura, de tudo e qualquer coisa, menos de mel… E olha que eu comprei da melhor marca, super artesanal!
Comprei frutas, iogurte, suco, nuts, pão e Nutella (salvação da bebê 2 em todas as viagens). Sim, qual o problema? Elas estão de férias e sou adepto a comam o que quiserem desde que sejam felizes, pelo menos nas férias… Acredito já ser um stress para uma criança sair de casa, deixar os brinquedos, a rotina, os amigos, o conforto do lar. Aí dois pais loucos resolvem levá-las pelo mundo afora, encontrando culturas completamente diferentes e ainda querem exigir que comam tudo e mais um pouco? Não, deixa a pobre coitada comer Nutella! Aliás, que os franceses me perdoem, mas os italianos que inventaram isso (se é que foram eles…), tiveram o dom!
Bom, comprei todas as coisinhas que precisava e lá fui eu, trinta minutos depois para a fila do caixa. Quarenta, repito, QUARENTA caixas funcionando, em pleno vapor, quase dez horas da noite. TODOS lotados! Com pelo menos 10 a 15 clientes com carrinhos do tamanho do universo, cheio de coisas, desde lenha (quem é que usa lenha no deserto???), até roupa, aspirador de pó, cobertores, impressora, TV, cinco pacotes de papel higiênico e, claro, comida também! Pessoal, hoje é fim de dezembro! Já passou o Natal! O que é que esse povo tanto estava comprando? Parecia que ia acabar o mundo, acontecer uma super tempestade de areia ou um mega tsunami. Não sei, mas fiquei perplexo em ver a montanha de coisa que o pessoal levava no carrinho. Ahhh, e levam toda a prole para o mercado também! Famílias com mais de dez pessoas, sim, DEZ pessoas: pai, mãe, tio, avó, filharada, bebê, tudo junto no mercado. Acho que, talvez, para carregar mais e mais sacolas!
Uma fila sem fim… Eu, querendo desistir, sair de lá correndo… Mas como encarar duas famintas quando chegasse no quarto? Não ia torrar milhões de dólares de novo no serviço do quarto. Bom, fui para a fila!
Alguns devem se perguntar agora: mas não tinha caixa expresso? É óbvio que tinha! Mas nesse, além de só poder pagar em dinheiro (não troquei muito…), tinha umas 100 pessoas na fila! Sério!
Selecionei minha fila, como uma jogada de sorte e lá fui eu esperar, ver a vida passar, pois nem internet eu tinha, aliás, nem celular levei porque estava sem bateria, depois das milhares de fotos do dia…
Às vezes é bom saber como funciona o mundo sem internet e celular… Só assim pude observar as famílias de diferentes nacionalidades, vi como se comportavam nessa situação. Vi o que costumavam comprar, percebi as relações humanas entre diferentes culturas, vi um menino colocando um chocolate no bolso (sim, roubando!) depois de pedir para o pai comprar e este negar. Vi um casal aos gritos com os filhos, mas acho que era cultural, já que não estavam fazendo nada de errado… Só se estivessem falando ou pensando algo de errado, afinal eu não entendia a língua deles. Enfim, olha quanta coisa eu consegui ver na fila do mercado… Se eu estivesse com o celular, talvez veria o Facebook, conversaria no WhatsApp ou jogaria algo viciante…
Quase chegando minha vez, e claro, sempre o cara da sua frente tem um problema para resolver e pára a fila toda… Acontece com você também?
O cara da minha frente era um Inglês, uns 30 anos, bem vestido, bem apessoado, educado, enfim, normal… Até que percebeu que o valor da sua granola estava 1 Dirham mais caro que o anunciado, ou seja, alguns poucos centavos a mais no dinheiro dele.
Ele falou para o caixa que, prontamente verificou a situação e buscou corrigi-la. A granola e sua promoção estavam em uma prateleira bem em frente ao caixa. O Inglês mostrou ao caixa (Indiano) – vou citar as nacionalidades para que vocês entendam a história – e ele buscou o preço na gôndola que, efetivamente, estava incompatível com o preço mostrado no caixa.
O indiano então explicou, em um inglês muito bom, que o fato ocorrera, pois os produtos desta gôndola estavam próximos ao vencimento e, por isso, com desconto. A granola do inglês foi pega em outra gôndola e, por isso estava sem o devido desconto. O inglês então disse que granola era granola, não importa a validade o produto era o mesmo, mas se o caixa fizesse tanta questão da validade (não entendi essa colocação…), ele, o inglês, ficaria com o produto próximo ao vencimento já que queria o desconto.
O indiano então chamou, por telefone, o gerente para cancelar o produto (situação absolutamente normal em qualquer mercadinho no Brasil e, acho, que no mundo). O inglês então, colocou seu cartão na maquininha, esperou dez segundos, retirou o cartão, destacou, ele mesmo, sua nota fiscal de dentro do caixa, pegou suas sacolas de compras (290,00 Dirhams) e foi-se embora. Tudo isso, com o indiano de costas, falando ao telefone.
O indiano então se vira para mim e pergunta:
onde está o moço que estava aqui?
Eu respondo: já foi.
E ele: como assim?
Como assim o que?
Como ele já foi?
Ué, sei lá. Ele pagou, destacou a nota fiscal e foi embora.
Como assim? Ele não pagou!
Pagou sim! Colocou até o cartão.
Ele não pagou! Eu não finalizei a compra! E ele levou a nota fiscal???
A partir daí, eu não entendi mais uma palavra. Chegou o gerente, um auxiliar, dois seguranças e começou a discussão multilíngue. Não sei o que eles estavam falando, mas cada um me parecia de uma nacionalidade diferente e falavam, parecia também, idiomas diferentes, mas de um modo geral se entendiam…
Sei que, por fim,o gerente virou para o caixa e falou: Don’t worry! Don’t worry!
E o caixa batia na mesa e repetia inúmeras vezes: eu não acredito! Ele saiu sem pagar! Por causa de uma granola!
Nesse turbilhão de emoções, ele passou minha compra, eu paguei e lá me fui de volta para o conforto dos meus aposentos alimentar minha família…
Assim é Dubai – multicultural, lotada, vibrante, emocionante, diferente!
E talvez seja assim que se iniciam as guerras…
*** não tenho fotos, pois lembra que estava sem celular?…🤔😜

2 respostas para “Frequentando um supermercado em Dubai”

  1. Anônimo disse:

    Wiiiiijjiiii Chefe . Passei por isso varias vezes no Katar . Agora transporta isso tudo para o Ramadã …….! Só alegria rsrsrs . Nem tudo é perfeito em lugar nenhum por mais que tentem !
    Boa estada aí , boas férias e um Feliz Ano Novo para toda familia ! !!! Abraço

  2. Safari no deserto em Dubai – Viagem, comes e bebês disse:

    […] aí que fui ao mercado, mas essa parte da história vocês já sabem e agora puderam entender o que fui fazer no […]

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