Ryokan
01/02/2016

A experiência em um Ryokan

Dia seguinte, acordamos bem cedo, afinal não tínhamos arrumado nossas malas na noite anterior, já que as roupas estavam secando pelo quarto (não entendeu, clique aqui), tomamos um rápido café, fechamos as malas e lá fomos nós de volta à estação. Por que será que na volta tudo parece ser mais perto? – bom, chegamos rapidinho e já fomos em direção ao nosso trem, sem problemas agora com os bilhetes, já que o feriado já tinha acabado (ficou por fora dessa também, clique aqui). Viagem curta, só 2h eu até Takayama, nosso próximo destino. Logo na chegada já sentimos uma grande diferença. A estação era beeeeem pequena.


Saímos do trem e, em cinco passos, já estávamos fora da estação. Fui até o terminal de ônibus para me informar sobre um passeio que faríamos no dia seguinte e já nos dirigimos para o hotel a pé, com as malas, mochilas, carrinhos e crianças. Mas dessa vez eram só duas quadras!😜
Quando comecei a pesquisar sobre o Japão, não havia uma só pessoa que não mencionasse que a experiência no Japão não seria completa se não nos hospedássemos em um Ryokan, uma tradicional hospedaria japonesa.
Essas mesmas pessoas que falavam isso, não mencionavam se esses lugares aceitavam crianças, afinal eles eram cheios de regras e parecia que não seria interessante levar crianças lá.
Pesquisei mais um pouco e vi que muitos deles aceitavam crianças, aliás, a grande maioria. Então escolhi o melhor da cidade (resolvi que seria nesta cidade, por conta de ser uma cidade bem pequena e bem turística) e lá fomos nós… Tudo bem, fomos, mas eu não estava assim tããão seguro…
Enfim, dias antes da viagem, o hotel me mandou um e-mail (em inglês!) perguntando se iríamos querer camas e café da manhã para as crianças. Como o preço era bem salgado, respondi que não. Elas iriam dividir a cama conosco e também o nosso café (que estava incluso na diária).
Chegamos lá e eu já sabia que teria que deixar os sapatos do lado de fora do hotel, então já preveni toda a família antes. Não deu outra, assim que chegamos duas pessoas extremamente gentis vieram nos receber na porta do hotel, com uma calorosa boas-vindas em alto e bom som. Uma delas, uma moça vestida com trajes típicos japoneses, falava um inglês perfeito e o outro, um senhor bem velhinho, também trajado à caráter, pegou nossas malas, mochilas e carrinhos, limpou as rodinhas com uma toalha umedecida e disse que levaria tudo para o nosso quarto. (e ele era realmente bem velhinho…😮)
A moça, mandou que deixássemos os sapatos na porta, nos deu chinelos e nos levou até um sofá. Em seguida, trouxe biscoitinhos e chá verde gelado para as meninas, um doce quentinho de arroz com feijão e chá verde quente para os adultos. Trouxe também um caderno com as informações do hotel (em inglês!) e nos deixou à vontade. 
 Depois de mais alguns minutos, voltou, sempre agachando sobre os pés quando falava conosco (para ficar da nossa altura – estávamos sentados no sofá, lembra?) e explicou todos os procedimentos do hotel. Pediu nossos passaportes, preenchi um formulário com nossos dados e ela nos levou até uma salinha para escolhermos nossas roupas. 
Um adendo: neste tipo de hotel, é comum que os hóspedes transitem pela propriedade de pijamas (yukatas – não é exatamente um pijama, mas fica mais fácil explicar assim). Cada um escolheu o seu (haviam muitas opções de cores e modelos) e ela nos levou para dar uma volta pelo hotel, explicando cada lugar. Confirmou também que não iríamos querer camas e café para as meninas e perguntou se queríamos o café da manhã ocidental ou japonês e em que horário gostaríamos que fosse servido. Escolhemos o ocidental, depois que ela explicou que no japonês, seria servido peixe cru, arroz e peixes defumados, além de sopa e chá verde (SÓ…) – não arriscamos…
Ah, esqueci de mencionar que, assim que chegamos, uma outra moça super simpática apareceu com uma caixa de brinquedos e pediu que as meninas escolhessem cada uma um, para presenteá-las…
Chegamos no nosso quarto, tiramos os sapatos na porta e lá estava o quarto: um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro. Em baixinha e quatro cadeirinhas em volta, bem baixinhas também. Uma televisão, alguns armários e objetos de decoração. Acabou! Cadê a cama??? 
Pois é, assim que entramos, nossas malas já estavam lá (os carrinhos ficaram lá embaixo, junto com os sapatos) e a moça explicou que arrumariam nossas camas quando saíssemos para jantar.
Outro adendo: existia a possibilidade de reservamos o quarto com meia pensão (café da manhã e jantar), mas, fora o fato que custava muuuuuito mais caro, o jantar era 100% japonês e demorava de duas a três horas para ser servido, pois eram muitos passos. Não havia a opção de escolher isso só um dia – ficamos dois – então resolvemos optar somente pelo café da manhã.
A moça nos deixou lá e percebemos que tínhamos mais pijamas no quarto, uma máquina de café espresso, chá verde disponível, mais biscoitinhos e nossas camas guardadas no armário!!! Eram futons… Além disso, o banheiro fica logo na entrada, sendo que o local de tomar banho fica em um lado e o vaso sanitário no outro (neste, tinha um chinelinho de madeira para entrar).
Saímos para conhecer a cidade e jantar depois de um tempinho e quando voltamos, adivinha! Nossas camas estavam lá, sob o tatame, prontinhas, imensas (sem necessidade alguma de mais camas para as crianças), maior que uma king size e super macias!! Perfeito! 
Fui pegar meu pijama no armário, pois resolvi que, já que estava em um hotel típico, também tomaria um banho típico japonês (isso conto uma outra hora) em uma Onsen, disponível no hotel. Dentro do armário, também tinha roupões comuns e escova de dente e toalhas para todos. 
Desci, tomei banho na Onsen e, na saída, tomei um chá quente de menta (tinham várias opções) e peguei uma velinha com óleo aromático para levar para o quarto (também com várias opções de aromas disponíveis).
Dormi e acordei extremamente relaxado (foi uma das melhores camas que já dormi na vida!). Fui correr, dei mais uma relaxada na Onsen e subi ao quarto para acordar as princesas.
Nosso café era às 8h00 e, quando chegamos ao restaurante, uma moça (agora tudo em japonês de novo) nos disse que era para ir para uma outra sala. Nos levou até lá e lá estava o café, prontinho.

Educadamente e com mímicas, ela explicou como seria o nosso café, dizendo que, na mesa, tínhamos ovos (crus – nós mesmos fazíamos em uma panela tipo um réchaud que ela acendia), uma salada (bem comum para o horário, não?!), bacon, salsichas, frutas, pão, geleia e manteiga. As bebidas, café, chá, suco de laranja, leite, iogurte e cereais ficavam em uma outra salão na e poderíamos nos servir à vontade.
Mesmo sem termos escolhido o café para as crianças, ela trouxe mais pão, mais frutas e disse que poderíamos pegar iogurte, leite, suco e cereais para elas.
Sei que é incomum no Brasil, mas provei a salada, que vinha com um molho de gergelim incrível! (Corri atrás desse molho pelo Japão inteiro e, infelizmente, achei em pouquíssimos lugares) fizemos os ovos, comemos bem e voltamos ao quarto para trocar as meninas (elas quiseram ir de Yukata – adoraram!!). 
Na saída, a moça com a caixa de brinquedos apareceu de novo e as presenteou com outro item! Devolveram nossos sapatos e lá fomos nós de novo desbravar a cidade!
E eu com medo que não aceitassem crianças…
Arrependimento de ter ficado só dois dias…

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