Kanazawa
11/01/2016

Kanazawa – primeiras impressões

Fora do roteiro turístico tradicional, está Kanazawa, cidade localizada no lado oeste do Japão, pertencente à prefeitura de Ishikawa e distante 450km de Tóquio.
A pergunta: por que escolhi visitar este lugar? Primeiro porque adoro fazer coisas não turísticas e, quando pesquiso sobre o que vou fazer em um destino, verifico o que as pessoas do país fazem e buscam. Vou citar um exemplo: se você perguntar para qualquer estrangeiro o que ele conhece sobre o Brasil, provavelmente vai falar do Rio, de Salvador, do Amazonas (achando que o Brasil é Colômbia, Venezuela, Peru…) e do Pantanal. Mas será que é somente isso que nós, brasileiros, buscamos como destino turístico? Entendeu o que eu quero dizer?
Enfim, busco aquilo que o povo local faz… e os japoneses gostam de visitar Kanazawa.

O motivo número 2, é que nesta cidade tem uma história bacana sobre Ninjas e Samurais. Por isso fiquei interessado…
Bom, voltando ao assunto, depois de três horas de viagem vindos de Tóquio, chegamos ao nosso destino. Kanazawa é uma cidade relativamente pequena, com pouco menos de 500 mil habitantes, com cara de interior, mas com facilidades de cidade grande. Logo na chegada, você já é surpreendido com uma super construção na estação de trem.
    Assim que a cidade ganhou o trem bala e teve um importante crescimento turístico, a estação foi reformada (terminou em 2005) e ganhou também uma estrutura linda de vidro (Montenashi Dome) e um portal na entrada (Tsuzumimon) que remete aos tambores pequenos de mão (Tsuzumi) utilizadas no teatro e nas músicas folclóricas. Esta cidade é muito conhecida no Japão pelo lindo artesanato e pela cerâmica Kutani-yaki.
A partir da estação, fomos com nossas malas, carrinhos e crianças até o hotel, que ficava a 1,2km da estação (claro, fomos à pé!!!). As ruas são muito boas, todas acessíveis a cadeirantes e à pessoas com problemas visuais. Isso é perfeito, mas as sinalizações em relevo na rua atrapalha um pouco rodar com as malas, então, paciência…  Chegamos ao hotel e rapidamente fomos atendidos e fizemos nosso check-in, ganhando toalhas para as crianças (sim, na recepção ganhamos duas toalhas que tivemos que levar até o quarto). Um japonês ao meu lado estava fazendo check-in com uma criança também e  ele ainda ganhou um chinelinho e sachês para chá (acho que a moça não me deu, pois eu não falava japonês e ela falava, no máximo, dez palavras em inglês…).
No nosso quarto, super pequeno, mas muito arrumado e limpo, pudemos encontrar chinelos para os adultos e Yukata (que se parece com um quimono, mas é usado para nós, ocidentais, como um pijama), além de muitas amenities (coisinhas para o banho) e um vaso sanitário eletrônico e moderno.

 
As camas eram duas de solteiro grandes, porém juntas formavam uma King size. Somente assim é permitido ter duas crianças no quarto (cada cama no Japão pode ser usada pelo adulto e mais uma única criança – então, se for uma cama de casal, podem dormir dois adultos e UMA criança. Por isso tivemos que, em todos os hotéis, ficar em um quarto Twin (com duas camas de solteiro). Dificilmente encontramos quarto triplo ou quádruplo no Japão e, quando tem, é muito mais caro.
Deixamos nossas malas e fomos dar uma volta pelo mercado tradicional da cidade e um dos mais tradicionais do Japão que ficava em frente ao hotel (por isso escolhi este hotel) e estava… FECHADO!!!

 Por conta do feriado de Ano Novo, o mercado reabriria na terça (íamos embora na segunda). Só um detalhe… Vocês devem estar se perguntando porque não sabia disso quando planejei a viagem. Pelo simples fato de que (lembram o que eu disse em outro post) as informações turísticas sobre o Japão são extremamente escassas em português ou inglês. Talvez em japonês, no site oficial do mercado, estivesse escrito isso, mas quando eu ia adivinhar que o principal mercado da cidade ia ficar fechado por cinco dias no feriado do ano novo?
Bom, fazer o quê? É sempre bom ter motivo para voltar nos lugares…
Falando do mercado (que conheci só as portas de ferro das lojas), ele se chama Omi-cho e é um dos principais mercados do Japão há 300 anos! Tem uma série de lojas que vendem, principalmente, peixes e frutos do mar e, no segundo andar e no sub-solo tem um monte de restaurantes tradicionais (alguns desses estavam abertos, mas eram beeeem caros… Preferimos ir em outro, do outro lado da rua).
Não conseguimos visitar o mercado, mas, atravessando a rua, tinha uma loja de departamento, a Meihetsu M’za que, além de muitos andares com roupas, tem uma loja imensa de porcelanas e comida. E no sub-solo tem um mercado gigante também, com um monte de coisas lindas e diferentes, inclusive com alguns restaurantes (fomos em um deles) e, para aqueles que querem matar a saudade do ocidente, com uma Starbucks! Tá, tudo bem, fomos lá também…
O que achei mais incrível é o cuidado que eles têm com as embalagens. São realmente lindas (e caras)…
        Viu só como nem tudo foi perdido…
Bom, a primeira impressão foi boa, não percam o próximo post com as aventuras ninjas e samurais…

2 respostas para “Kanazawa – primeiras impressões”

  1. Ingrid disse:

    Que aventura hein?! rs…. mas eu gosto do espírito, ter que dividir uma cama com duas crianças é puxado já que elas, em geral, não dormem quietinhas né? Helena costuma dormir conosco nas viagens tendo ou não cama extra mas chuta e agarra o pai à noite toda.
    Não tem por aí rede de hotéis mais internacionais, tipo Mercure (e etc) que tem aqueles quartos mais padronizados com “extra large king bed”?
    Agora esse vaso sanitário e um luxo! Morro de curiosidade para conhecê-lo, é verdade que é aquecido e tem chuveirinho? kkkk

    • Luiz Araujo disse:

      Sim! O vaso aquece e tem mil tipos de chuveirinhos! Por aqui tem redes internacionais, mas mesmo nelas, os quartos são padrão japonês…

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