Japão
08/01/2016

Trem bala no Japão – Shinkansen – primeira parte

Como muitos sabem, o Japão tem um sistema ferroviário super eficiente. Uma das opções, e, com certeza, a mais curiosa e diferente de todas é o trem bala, ou como é conhecido no Japão, o Shinkansen. Nossa primeira experiência com esse “monstro” da tecnologia foi na Tokyo Station, indo de Tóquio até Kanazawa, para o lado oeste do país.


Saímos do hotel diretamente pela estação JR (Japan Railways) e começamos a usar nosso Japan Rail Pass neste dia (quem não entendeu, leia aqui). Muito fácil: na catraca da estação, mostramos o passe para o policial e entramos. Ele carimbou o passe com o dia do início da utilização.
Pegamos o trem local até a Tokyo Station e nos dirigimos até a plataforma – o trem para Kanazawa partiria às 10h32 e chegamos lá umas 10 horas, então estava aparentemente tranquilo, se… não fosse feriado do Ano Novo.
Tinha tudo planejado, inclusive sabia todos os horários de alternativas de trem, caso perdêssemos o que tinha planejado. Sabia também que alguns trens exigiam lugares marcados e que era opção marcar ou não lugar.
Resumidamente, funciona assim: o trem tem, por exemplo, 10 vagões; três ou quatro desses vagões são livres, ou seja, senta quem quiser, onde quiser (claro, desde que tenha passagem para aquele trem). Os outros vagões são divididos por classe: primeira (green class), segunda (ordinary) e super premium (grand class – esse nem todos têm). Nosso passe era para a segunda (que é bem suficiente, diga-se de passagem – muito espaçosa e com cadeiras reclináveis). Esse passe também permite que você reserve lugar em qualquer trem, sem custos (custa bem caro reservar lugar – uns 60 reais por trecho – o que é quase o 2/3 do preço da passagem).

Grand Class – não disponível para o JR Pass

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Green Class – primeira classe

 

Ordinary Class – segunda classe

 
Aqui tem mais fotos e informações sobre as classes disponíveis (página oficial, em inglês).
Para reservar lugar, tem que ir até qualquer estação e escolher com, no máximo, trinta dias de antecedência, desde que você esteja no Japão! Ah, tá… Bem fácil! Um país super tecnológico, mas que ainda não permite fazer isso on-line…
Bom, o negócio é o seguinte: não reservamos os lugares logo que chegamos, pois temos duas crianças, lembra? E estávamos um pouquinho cansados da viagem… E das duas uma: ou saímos ultra cedo do hotel (tipo quando pegamos avião) para não corrermos riscos de perder a hora, ou saímos em um horário normal, mas com o risco de alguém querer suco, água, dormir sem querer, querer ir só banheiro, comer alguma coisa, fazer alguma birra… Bom, temos duas crianças e estamos de férias, então escolhemos sair no horário que desse e se perdêssemos o trem daquele horário, tudo bem, ainda teriam muuuuitos outros no dia! – para quem não lembra do que eu estava falando… foi por isso que não reservamos os lugares no trem antes…
Voltando… Chegamos à estação, achamos nossa plataforma, mostramos os passes, todos muito felizes e resolvi checar se a plataforma estava correta – sim estava correta, maaas, esse trem, somente ESTE trem (que era aquele que queríamos, estava no horário e chegaríamos no destino conforme planejado, tudo lindo…) SÓ podia entrar com lugar marcado…
Claro, começou a correria… Deixei as meninas (mãe e filhas, antes que achem que sou louco) em um lugar longe das multidões e corri para reservar lugares (ainda faltavam uns 15 minutos). Uma fila gigante e já era… Pensei: “ah tudo bem, tem mais um trem que sai depois de 30 minutos (chega bem depois, é verdade, pois parava em mais lugares, mas tudo bem, atrasaríamos só um pouco)”.

No guichê tinham umas 20 pessoas na minha frente. Chegou minha vez e adivinha, o próximo trem estava lotado. A moça disse que, como era feriado, os trens estavam todos lotados e tive que pegar um que saía 1h30 depois e chegava 2 horas depois do planejado, o que significava que teríamos que almoçar no trem… (A viagem demorava 3 horas). É, não teve jeito, foi isso mesmo…
Um detalhe: aquela história que tinham vagões sem reserva, realmente é verdade, mas a moça não me deu opção de tentar isso… Ela só falou: o trem está lotado, só tem vaga neste aqui. Ponto final… Como japonês não é uma língua, digamos, que eu saiba mais que cinco palavras, preferi não discutir e aceitei meu lugar no outro trem.
Bom, as meninas dormiram um pouquinho, comemos alguma coisa e esperamos até o horário do nosso trem…

6 respostas para “Trem bala no Japão – Shinkansen – primeira parte”

  1. Ingrid disse:

    3h em trem bala! Uau! A distância deve ser enorme, gostei desse trecho da história com a parte da vida real (crianças que querem fazer xixi, fazem birra, dormem no caminho hahaha).

    • Luiz Araujo disse:

      A distância até que não é grande (500 km), mas, levando em conta que o trem faz 8 paradas (não consegui pegar o expresso), até que vai bem… Chega a atingir quase 300km/h!!

      • Ingrid disse:

        Ahhhh, entendi… Vi no outro post que é um bala mas com velocidade igual do TGV (que eu já acho mega rápido).
        Enfim, super! Aguardo cena dos próximos capítulos.
        Abs

  2. Shinkansen – a continuação  | Viagem, comes e bebês disse:

    […] de toda a confusão com o passe de trem (leia aqui), finamente chegou o horário do nosso trem. Fomos até a plataforma, depois de acordar a cambada […]

  3. patricialouro disse:

    E a viagem segue…

  4. A experiência em um Ryokan – Viagem, comes e bebês disse:

    […] direção ao nosso trem, sem problemas agora com os bilhetes, já que o feriado já tinha acabado (ficou por fora dessa também, clique aqui). Viagem curta, só 2h eu até Takayama, nosso próximo destino. Logo na chegada já sentimos uma […]

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