Frankfurt
13/04/2013

Alemanha para Grávidas – o final da história

Enfim, escrevo esse post para contar o final da nossa trajetória grávidos na Alemanha.
Para quem não lembra, saímos do castelo de Neuschwanstein e seguimos na nossa rota romântica até chegar à foto misteriosa do último post. Pois é, depois de intensas pesquisas para decidirmos qual cidade escolher para se hospedar e conhecer no meio do caminho entre Munique e Frankfurt, deixamos de lado as possivelmente lindas e aconchegantes cidades mais famosas, como Würzburg, Füssen ou Lechfeld, para nos estabelecermos em uma cidade que serviu de inspiração para Walt Disney criar a vila do Gepeto em Pinóquio e que depois descobri também que foi palco de algumas cenas de Harry Potter e ainda preserva alguns costumes religiosos bem tradicionais – lembram que nós estávamos lá na Páscoa (na verdade na quinta e na sexta-feira)! A cidade era Rothenburg-ob-der-Tauber.


Quando chegamos lá já era fim da tarde. Estacionamos o carro no nosso hotel (Gâstehaus Goldener Hirsch Rothenburg) que era uma casa do século XV. Tinha um estacionamento para uns 10 carros e estava bem cheio. Tentamos entrar e havia um aviso na porta em alemão (!!!) com algo que eu não entendi, mas como eu me informei muito bem antes, a recepção ficava do outro lado da rua.
Quando chegamos na recepção, um moço nos atendeu e, sinceramente, acho que eu nunca vi alguém tão estranho (parecia saído de um filme de terror) e tão hospitaleiro (nos tratata como rei e rainha) na minha vida. Ele se prontificou a arranhar um inglês meio difícil de entender, mas fazia de tudo para nos deixar à vontade. Bom, ele deu várias dicas da cidade (que era um ovo), mas tinha um mapa super detalhado e muitos restaurantes.
Para que fique claro, Rothenburg (como carinhosamente a chamamos depois de pronunciarmos esse nome gigante umas cem vezes antes) é uma cidade medieval datada do século X, murada e extremamente preservada, próxima de Nuremberg, na Baviera. Além disso, é uma cidade muito pequena, charmosa e aconchegante que basicamente é composta por uma rua principal, uma grande praça e um lindo parque aos fundos, isso mesmo, aos fundos da cidade (ou seria na frente?!?).
Voltando… pegamos a chave do nosso quarto que, infelizmente não tirei uma foto, mas parecia com essa aí embaixo: e ainda portava um chaveiro enorme, super confortável para carregar no bolso…

Voltamos no estacionamento, pegamos nossas coisas no carro e entramos por lá mesmo – dava para entrar pelo estacionamento e, quando anoitecia, o estacionamento fechava (com seu carro dentro) e você tinha que entrar por fora, em uma porta bem em frente à recepção. Quando abrimos a porta nos deparamos com um quarto muito confortável: espaçoso, com uma cama grande, com um sofá, uma janela que dava para um jardim e uma mini horta e um banheiro (esse era bem minúsculo – e ainda molhava bastante o chão, para não dizer que alagava…). Bom, mas somos adeptos ao seguinte pensamento: não buscamos luxo em um hotel quando viajamos para lugares desse tipo, pois acabamos ficando o dia todo na rua e voltamos ao hotel para tomar banho e dormir, então… Esse estava ótimo!!
Tomamos um banho e fomos conhecer a cidade. Paramos para jantar em um restaurante italiano, onde TODOS falavam Espanhol (?!?). Pois é, descobrimos que a cidade tem um monte de restaurantes italianos e um monte de espanhóis! O jantar foi uma massa para mim e um risotto para minha mulher. Estava muito bom e muuuuuuito barato (a conta, se me lembro bem, deu 13 euros, com vinho, água, refrigerante e impostos!!!).
Saímos do restaurante já bastante tarde e fomos caminhar um pouco pela cidade que era muito escura e já não tinha quase ninguém na rua. Eis que de repente, nos deparamos com uma concentração de pessoas na praça e um cara, vestindo uma capa preta, do tipo Dona Morte do Penadinho (lembra???), ou Pânico, com uma foice (!), fazendo uma encenação.
Incrível! Começamos então a acompanhar esse pessoal. Era mais ou menos uma encenação de Páscoa. Não entendemos nada, já que era em alemão, mas foi muito divertido e era realmente um espetáculo – íamos andando pela cidade toda atrás daquele bando e cada hora aparecia um ator vestido diferente encenando algo, que sabíamos que tinha a ver com a Páscoa, mas era muito diferente do que já tínhamos visto por aqui.
Acabando a encenação, ainda demos uma voltinha pela cidade para ver as vitrines que são preenchidas por bonecos e bonecas de todos os tipos, principalmente ventríloquos e depois voltamos para o hotel.
Dia seguinte, tomamos um café da manhã, sendo recepcionados e servidos por aquele senhor estranho e solícito, que não parava de querer nos ajudar e bajular (vai entender?!). Uma delícia! Saímos de novo para dar uma volta pela cidade e aí conhecemos todas as lojinhas muito interessantes (e não falo isso em tom jocoso!). Tinha desde os bonecos que mencionei até uma loja fantástica, que vendia uma série de objetos em ferro (compramos alguns) e decorações de todo tipo (na verdade compramos um monte :-)).
No caminho, encontramos também um museu do crime, que parecia interessante, mas acabamos desistindo de entrar, não lembro bem o motivo e um outro museu de Natal – esse era SENSACIONAL! Para quem gosta do Natal, totalmente imperdível!! Só não tivemos tempo de ir ao museu de bonecos.
Conhecemos a prefeitura (Rathaus) que fica na praça central e que você consegue avistar uma estátua de Nusch bebendo um garrafão de vinho. Nusch era prefeito da cidade que, em 1631, durante a Guerra dos 30 Anos, foi invadida e ameaçada por um general que prometeu ir embora se alguém bebesse um garrafão de mais de 3L de vinho de uma só vez. Nusch assim o fez!
Além dessa estátua, também podem ser observados vários bonecos de neve nas janelas das casas dessa praça e alguns outros itens natalinos.

Almoçamos em um restaurante alemão, dessa vez, mas fomos atendidos por um garçon espanhol! Muito bom!!

Passamos o dia caminhando na cidade e no fim da tarde, fomos até o parque que citei acima, que estava cheio de crianças, cães e famílias fazendo piquenique.


Visão do parque, por detrás das muralhas

A cidade murada

Jantamos em um outro restaurante alemão (nesse fomos atendidos por alemães!!), muito bom também.
Última manhã na cidade – já era sábado – acordamos, fomos para o café e saímos para tentar fazer as últimas comprinhas naquela loja que falei, quando nos deparamos com uma praça (aquela mesma do prefeito), cheia de gente e barraquinhas. Ah! Não perdemos tempo. Compramos logo o que tínhamos que comprar e fomos xeretar a praça…


Tomei uma sidra em uma caneca bem velha (compare com tomar caldo de cana na feira) – Fantástica! Experimentei uns queijos defumados ótimos e uns embutidos sensacionais também. A feira ainda tinha algumas bugigangas extras…
Acabou… Tínhamos que ir embora de Rothenburg! Essa cidade que tanto nos apaixonou e que queremos voltar mais umas cem vezes… Simples e completa!


Pegamos o carro e fomos em direção à Frankfurt, última parada da nossa corrida viagem pela Alemanha.
Chegando lá, confesso que ficamos bem decepcionados… Sair de uma cidade como Rothenburg e chegar em uma cidade grande, cheia de gente, com trânsito e sem lugar para estacionar… Difícil!
Demos algumas voltas e paramos em um lugar que eu achei que podia estacionar… Fomos até nosso hotel (Leonardo Hotel Frankfurt City Center – certeza que fomos para a Alemanha???), próximo ao Rio Meno e fomos recepcionados por um cara bem metido (cadê nosso ser estranho?). Subimos ao quarto, bem bacana, por sinal, descobrimos que podíamos deixar o carro dentro do hotel e fomos dar uma volta a pé pela cidade.

Próximo ao hotel

Era Sábado, fim da tarde e no meio da Páscoa. Tudo ao redor do nosso hotel estava fechado e tinha um monte de gente mal encarada nos arredores (e eu com a grávida…). Passamos logo por esse pessoal e fomos para o centro velho.

Frankfurt é uma cidade muito limpa e organizada. Estava um pouco vazia quando fomos, acredito que pelo feriado, mas interessante. Cosmopolita, com construções muito antigas ao lado de desafios contemporâneos da Arquitetura.


No caminho, passeamos pela Zeil, que é uma rua peatonal, considerada um dos maiores shoppings a céu aberto da Europa. Aí paramos na Galeria Kaufhof para comprar alguns vinhos de sobremesa indicados pelas queridas amigas Susana Jhun e Paula Cabral, profissionais competentíssimas da Enologia.

Comprei Eiswein, Trockenberenauslese, auslese e me empolguei e acabei comprando alguns outros Grösse gewach e Erste gewache. Ainda tenho alguns reservados aqui em casa para momentos especiais!
Almoçamos por ali mesmo em algum fast food da vida…  Fomos até o centro velho, conhecer algumas construções mais preservadas (Frankfurt foi destruída na Guerra), a prefeitura com sua praça cheia de barraquinhas ao estilo Rothenburg e alguns pontos turísticos.

Como Frankfurt dificilmente faz parte de roteiro turístico (acaba entrando só como escala em uma viagem à Europa), e não tínhamos muito tempo, nem muita curiosidade de conhecer, acabei não pesquisando tanto, então fomos caminhando meio sem rumo, conhecendo o que desse para conhecer.
Na volta, fomos caminhar um pouco pela margem do rio próximo ao nosso hotel. À noite, fomos jantar em um dos muitos restaurantes da Fressgass, uma rua peatonal bem gastronômica. Era um pouco tarde, então nem todos os restaurantes estavam abertos, mas escolhemos um bem alemão, e foi lá… (sem muitas lembranças…)


Domingo, último dia da viagem, fomos ao zoológico de Frankfurt, um dos mais respeitados do mundo. Enorme, lotado, longe do hotel, mas valeu a pena! Chegamos quase na hora do almoço, então paramos em uma barraquinha, logo depois que você entra no zôo, bem tradicional… Comemos uma coisa que lembrava bastante uma pizza (Alemanha???) com uma linguiças meio apimentadas e eu tomei uma sidra. Bom!
Passeamos pelo lugar. Bem bacana! Vale a pena!
No fim , já se despedindo da Alemanha, estava revoltado, pois ainda não tinha comido nem um Apfelstrudel (um absurdo!!), então, quase saindo do zoológico, vi uma lanchonete com uma plaquinha: Apfelstrudel + coca = 5 euros. Não pensei duas vezes, parei ali e, depois de uns 40 minutos fomos atendidos por uma jovem (isso mesmo, jovem!) de uns 20 anos que disse não saber NADA em inglês (é possível?). Não entendeu nada (mesmo eu apontando desesperadamente para a placa) e me trouxe a tal Coca-Cola. Esperamos mais uns 50 minutos e nada do meu doce. Levantei, fui até o balcão e NINGUÉM me atendeu… Acho que estavam de sacanagem! Fiquei revoltado e fomos embora… Sem meu strudel!!!
Resumo da história:
A Alemanha é fantástica! Um país que nunca dei muita atenção, mas pretendo voltar mais umas cem vezes, conhecer a fundo. Cada lugar de lá deixou saudade e uma vontade de voltar (Frankfurt, na verdade, não posso dizer que não gostei, talvez, como não criei nenhuma expectativa, não me empolguei tanto). Só que agora… com duas filhas lindas três filhos lindos!

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